O STF
(Supremo Tribunal Federal) terminou a semana de julgamento do mensalão
com o placar de três votos a um pela condenação do ex-chefe da Casa
Civil José Dirceu por corrupção ativa. Os três magistrados que
consideraram o petista culpado -Joaquim Barbosa, Rosa Weber e Luiz Fux-
também reafirmaram que o dinheiro do valerioduto serviu para
comprar apoio político no Congresso Nacional.
Barbosa, Rosa Weber e Fux também condenaram o ex-tesoureiro do PT
Delúbio Soares e o ex-presidente da legenda José Genoino por corrupção
ativa. O revisor da ação penal, Ricardo Lewandowski, condenou Delúbio e
inocentou Dirceu e Genoino.
Com um voto firme e de contestação a Lewandowski, a ministra Rosa Weber
repetiu duas teses que podem ser acompanhadas na próxima semana pelo
plenário. A primeira afirma que se há corrompidos, há também
corruptores.
— Reconhecidos os crimes de corrupção passiva, é forçoso reconhecer os de corrupção ativa. Sem corruptor não há corrompido.
A ministra também lembrou que não poderia condenar Delúbio e absolver
Dirceu, como fez Lewandowski. Para Rosa Weber é inverossímil a tese de
que Delúbio teria agido sozinho e orquestrado o esquema. O presidente da
corte, Ayres Britto, concordou com a ministra.
Ministra Rosa Weber segue relator e condena José Dirceu, Genoino e ex-tesoureiro do PT
Com voto de Luiz Fux, José Dirceu e petistas têm três votos pela condenação no julgamento do mensalão
Já Lewandowski citou depoimentos e indícios para comprovar a tese de que
não houve compra de votos. Seu raciocínio levou à interferência do
ministro Gilmar Mendes. Celso de Mello também interpelou o revisor e alegou que é incoerente condenar Delúbio e absolver Dirceu.
— Vossa Excelência imagina que um tesoureiro de partido político teria essa autonomia?
Por fim, o ministro Luiz Fux seguiu o mesmo raciocínio de Joaquim
Barbosa e Rosa Weber. Todos os ministros que votaram até agora
absolveram a ex-gerente financeira de Valério Geiza Dias e o ex-ministro
dos Transportes Anderson Adauto. Já o advogado Rogério Tolentino foi
inocentado apenas por Lewandowski.
O julgamento será retomado na próxima terça-feira (9). Ainda fatam votar
os ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gimar Mendes, Marco Aurélio,
Celso de Mello e o presidente Ayres Britto.
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